Lenda de S. Martinho
Antes de baptizado e convertido ao Cristianismo, S.
Martinho foi na mocidade soldado das legiões do Imperador Juliano.
Certo dia, sob o vendaval e a neve, equipado e
armado, montado a cavalo, S. Martinho viu um mendigo seminu, tiritando de frio,
estendendo para ele a sua pobre mão ossuda e congelada.
O Santo parou o cavalo, tomou com caridade a
mão desse abandonado e, em seguida, tomou da espada, cortou pelo meio a sua
capa de agasalho, deu metade dela a esse miserável peregrino e, envolto na
outra metade, sacudiu a rédea e prosseguiu através da tormenta, do vento e da
neve.
Subitamente, porém, no caminho do soldado, a
tempestade desfez-se, amainou o tufão e a geada, o céu descobriu
instantaneamente, como por encanto, a sua profundidade límpida e azul, e um sol
acariciante e resplandecente inundou a terra de alegria e vestiu de luz e calor
esse cavaleiro caridoso.
Deus, reconhecido, para que não se apagasse da
memória dos homens a notícia deste acto de bondade, praticado por um dos seus
eleitos, dispôs que em cada ano, na mesma época em que S. Martinho se desfez da
metade da capa, por alguns dias se interrompesse o Inverno, cessasse o frio,
sorrisse o céu e a terra, e um calor saudasse a natureza, sempre insensível à
vontade dos homens, em memória daquele que, em certo dia, humilde soldado,
trotando a sós por um caminho, desafiou e venceu a fúria insuperável dos
elementos.